A LUTA CONTINUA!
Menos inteligentes do que pensam que são, e mais inteligentes daquilo que poderão vir a tornar-se.
COMEM-SE PESSOAS EM PORTUGAL
Em 1729, Jonathan Swift escreveu e editou uma sátira política intitulada A Modest Proposal (Uma modesta proposta para prevenir que, na Irlanda, as crianças dos pobres sejam um fardo para os pais ou para o país, e para as tornar benéficas para a República. Aí sugeria aos irlandeses pobres vender os seus filhos às famílias ricas, “considerando que a manutenção de cem mil crianças, de dois anos e para cima, não pode ser calculado em menos de dez xelins por peça e por ano, as acções da nação serão assim aumentada de cinquenta libras opor ano, além do lucro de uma nova receita, e do requinte do seu paladar, apresenta os requisitos de todos os cavalheiros de fortuna do reino”.
VIVA A GRÉCIA
Quando um romeno liga o televisor, lá aparece nas notícias a imagem da bancarrota portuguesa.
De cada vez que se acende uma vela no Banco Central Europeu, morre um romeno na Hungria.
via www.bce.ca
O “Correio da Manhã” é o único jornal seguramente português, com o único jornalismo de reportagem que se faz actualmente em Portugal. O foragido que matou dois polícias, e os dois polícias que mataram o foragido; o funeral das respectivas vítimas, o facto de morarem ou não em Massamá; e o seu currículo em Chelas. Ultimamente pelam-se por Mirandela. Depois há sempre um qualquer opinador onanista que dia sim escreve sobre a falta de justiça em Portugal, e dia não afirma acreditar na justiça.
INTERNETOZÓICO
Período da existência da Terra durante o qual todo o homem podia afirmar “estou na rede, logo existo”. No Internetozóico qualquer pessoa podia existir, desde que tivesse um vizinho com rede.
Carta a José Sócrates
No caso de eu ter sido baptizado com um nome destes, o de filósofo grego, a primeira coisa que faria quando chegasse a primeiro-ministro seria declarar: “Só sei que nada sei”. E daí, de esse acto de humildade e inocência tinha a minha carreira de governante automaticamente e em todos os casos perdoada. Durante as interpelações ao governo no Parlamento, em vez de mostrar cornos ou chamar nomes ao inimigo, poderia confrontá-los com um lapidar “conhece-te a ti próprio”, ou “senhor deputado, conheça-se a si próprio”, o que nem um “penso logo existo” de Paulo Portas conseguiria neutralizar. Isso daria ao adversário a possibilidade de reconhecer também a sua face oculta e a sua própria sucata. A declaração irónica de Sócrates certamente cairia muito bem num qualquer inquérito parlamentar, fosse ele na Comissão de Ética ou em qualquer das muitas comissões que o Parlamento tem para apurar a comida e a mentira. “Quanto ao caso Freeport (ou Porto Livre, em linguagem de piratas) senhores deputados, só sei que nada sei”. “No caso Face Oculta, senhor deputado, pois se ela é oculta, como a outra face da Lua, só os astronautas e as equipas de investigação da NASA a podem alcançar”. “Quanto ao desemprego, ao défice, ao umbigo de Manuela Moura Guedes, só sei que nada sei”.
Como diria Sócrates, o filósofo ateniense: “A eloquência é a arte de aumentar as coisas pequenas e diminuir as grandes”.
Carta a Alberto João Jardim
É sabido que o povo da Madeira é um povo superior. Os seus cabelos pretos e olhos castanhos conferem-lhe uma singularidade em todo o mundo. Poucos povos se assemelham a este, no seu ADN. As suas raízes genéticas transportam tudo o que de melhor há na humanidade: paciência, abnegação, subserviência. Alberto João Jardim, filósofo, cientista e português isolou pela primeira vez em laboratório as características desse povo e por isso merecia o prémio Nobel da etnologia. A.J.J., que tem o nome de Jardim, como a Madeira, descobriu que o povo que governa é bípede e que executa superiormente tarefas como varrer as ruas ou dar consultas de oftalmologia. A tal ponto que os genes madeirenses deviam ser reproduzidos e todos os outros genes - dos Açores, do Continente ou da Malásia -impedidos de se procriar. Deviam ser lançados progroms contra chineses e cubanos, e ser celebrada uma Noite de Cristal com apedrejamento das montras de restaurantes chineses e supermercados continentais, inscrevendo-se neles com ostracismo o selo de Salomão. Declarando o povo da Madeira um povo superior, Jardim está sobretudo a declarar-se um homem superior, uma vez que nasceu na Madeira. A.J.J não gosta que os portugueses da Madeira sejam portugueses, muito menos gosta de ser português. Anda continuamente disfarçado de pessoa. E mesmo quando tira a máscara pelo Carnaval, não consegue disfarçar aqueles traços humanóides que o aproximam de qualquer continental.
fotografia de Alberto João Jardim (via kaosinthegarden)








